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Title: Índios, jesuítas e bandeirantes: Medicinas e doenças no Brasil dos séculos XVI e XVII
Advisor: Almeida, Eros Antônio de
Authors: Gurgel, Cristina Brandt Friedrich Martin
Co-advisor: Lewinsohn, Rachel
Abstract: Isolados durante milhares de anos, os indígenas não desenvolveram imunidade diante de vírus e bactérias originários de outros continentes. Apesar de seu habitat não ser destituído de uma grande variedade de moléstias (dentre elas o pian, a leishmaniose cutânea e a doença de Chagas), no contato com o colonizador, a deficiência de resposta imune Th2 para micro-organismos autóctones causou verdadeiras tragédias entre os brasilíndios, que sucumbiam por gripes, sarampo, disenterias e principalmente varíola. Médicos formados constituíam um grupo insignificante no Brasil colonial e diante do vazio profissional, jesuítas (os primeiros que se lançaram nas práticas médicas), curiosos, curandeiros, barbeiros, benzedeiras compunham um contingente expressivo. Todos praticavam uma medicina híbrida, formada inicialmente pela medicina popular européia e indígena; ambas possuíam uma noção materializada da doença que, uma vez instituída, deveria abandonar o organismo. Diante disso, a terapêutica baseava-se em sangrias, purgas e vomitórios, além de rituais, rezas e uso de amuletos para satisfazer o sobrenatural. Estas práticas médicas concomitantemente valeram-se da variada flora medicinal nativa e foram difundidas pelos bandeirantes, que desbravavam os sertões de norte a sul - por este motivo esta terapêutica foi denominada "Remédios de Paulistas" - e foi usada para diversos males como opilação (anemia), escrófulas, "carneiradas" (malária) e "meia-cegueira" (tracoma?), comuns nas matas e vilas incipientes. Nenhuma das medicinas, erudita ou popular - que na realidade eram muito semelhantes entre si - foi eficaz diante das epidemias. A despeito de serem os indígenas suas principais vítimas, elas matavam de senhores de engenho a escravos, faziam ruir a economia e causavam fome e desalento. Falências, crescentes dívidas para importar escravos africanos (mais caros, porém mais resistentes às doenças) constituíram por muitos anos um quadro sombrio da vida no Brasil. Num círculo cruel de causa e efeito, os escravos negros substituíram gradativamente o trabalho indígena nas lavouras, mas trouxeram mais doenças, como o maculo, a febre amarela, a malária (por P. falciparum) e a própria varíola. As tentativas indígenas na defesa de seu território resultaram em fracasso; a morte, na grande maioria das vezes, foi causada direta ou indiretamente pelas doenças infecciosas de além-mar e não por canhões e arcabuzes. Assim, na falta de uma imunidade eficaz, as guerras contra os colonizadores já estavam vencidas, antes mesmo de iniciadas.
Abstract: Isolated during thousands of years, native Brazilians did not developed immunity to microorganisms from another continent. Despite the presence of diseases in their habitat, (such as non venereal treponematosis, cutaneous leshmaniosis and Chagas’ disease), with exposure to alien explorers, the deficiency of an immune response Th2 to viruses and foreign bacteria, truly decimated the native population of Brazil, which succumbed secondary to primarily small pox, but also to the flu, measles and dysentery. Trained physicians were scarce in colonial Brazil, and due to this professional void, Jesuits (the first to start medical practices), curious people, shamans, barbers and faith healers tried to replace them; all practiced a hybrid form of medicine, based initially in the popular European medicine combined with native roots. Both schools of thought had a “material” concept of the diseases; that is, once developed, it had to abandon the organism. As such, therapy was based in exsanguinations, intestinal cleansing and forced vomit, in addition to rituals, praying and use of amulets to appease the supernatural world. These medical practices made extensive use of the varied native medicinal flora, and this knowledge was spread out by the alien explorers of the north and south remote regions – as a consequence, this therapy was called “ Remedios de Paulistas”, i. e., Medicine of Sao Paulo - , and it was used for a variety of maladies such as anemia, scrofula, malaria, and trachoma, diseases common in the jungle and adjacent hamlets. None of the medical practices – classic or popular (very similar to each other) – was efficacious against any epidemics. Despite native Brazilians being most affected, epidemics also killed African slaves and their owners, ruining the economy and causing hunger and discouragement. Personal bankruptcy, increased debts for buying African slaves (more expensive, however more resistant to diseases) lead to, for many years, a somber lifestyle in Brazil. In a cruel circle of cause and effect, African slaves gradually replaced native Brazilians as work force in the plantations; on the other hand, they also brought in diseases such as infectious recto colitis, yellow fever and malaria – caused by P. falciparum, and even small pox. All native Brazilian resistance to colonization resulted in failure; death, in the vast majority of cases, was caused directly or indirectly by the exposure to alien diseases, and not by cannons or guns. As a consequence, due to lack of an efficient immune system, the battle against the colonizers was already lost, even before it had started
Keywords: Brasil Colonial
Relações Interéticas
DeCS: Brasil
Saúde de Populações Indígenas
Índios Sul-Americanos
História da Medicina
Issue Date: 2009
Citation: GURGEL, Cristina Brandt Friedrich Martin. Índios, jesuítas e bandeirantes : Medicinas e doenças no Brasil dos séculos XVI e XVII. 2009. 194 f. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Medicas, Campinas, 2009
Place of defense: Campinas/SP
Defense institution: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Program: Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica
Appears in Collections:TR - Teses de Doutorado

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